CIEP- BRIZOLÃO 476 ELIAS LAZARONI

BIOGRAFIA

Nascido em 11 de junho de 1928, em Eugenópolis, Minas Gerais, Elias Lazaroni era um verdadeiro apaixonado por Duque de Caxias. Antes de vir para a cidade, em 1955, passou a infância em Porciúncula, onde concluiu os estudos primários, secundários e os de técnico de contabilidade. Casou-se aos 21 anos com a Sra. Ruth Tinoco Lazaroni e em 1950, residindo em Itaperuna, elegeu-se vereador.

No ano seguinte, mudou-se para Duque de Caxias, estabelecendo-se como comerciante de cereais. Em 1958 elegeu-se vereador, pelo PSB, integrando a Comissão de Justiça e Redação e, em 1961, elegeu-se Presidente da Câmara. Ao final do mandato, em 1962, renunciou ao cargo de vereador, sendo nomeado Secretário das Comissões Técnicas da Câmara. Em 1963, com a aposentadoria do Diretor Geral da Câmara, assumiu o cargo e, em 1967, iniciou gestões para a construção do edifício-sede da Câmara, na rua Paulo Lins, que foi inaugurado em 23 de outubro de 1969 e que ainda hoje é sede do Legislativo. Na época, a Câmara funcionava em um velho sobrado na Avenida Nilo Peçanha.
Aos olhos de Elias Lazaroni, a inauguração da sede própria do Legislativo não era a meta de chegada, mas o ponto de partida para um projeto acalentado há muito tempo: o engajamento da Câmara Municipal na vida cultural da cidade. E o primeiro ponto foi a construção da Biblioteca Pública José do Patrocínio, inaugurada em 7 de setembro de 1970. O sonho da biblioteca surgiu com a possibilidade do desmonte, por parte dos herdeiros, da biblioteca do advogado João Ferreira da Luz, uma das mais importantes do Município. Elias Lazaroni conseguiu convencer os 21 vereadores não só a adquirir a biblioteca do respeitado causídico, mas também de franqueá-la à comunidade, através da aquisição de obras de cultura geral, abrindo espaço para a literatura brasileira e universal, a história, a geografia, o conhecimento, ferramenta indispensável para o jovem brasileiro. Hoje, a biblioteca, que funciona no 3º andar, recebe, diariamente, a visita de dezenas de estudantes, que ali fazem pesquisas fundamentais para seus estudos.
Inaugurada a biblioteca, Elias Lazaroni partiu para um novo projeto, ainda mais ambicioso: criar uma instituição que arrecadasse, organizasse e conservasse o acerto histórico de uma cidade ainda sem memória. Surgia, assim, em 31 de janeiro de 1973, o Instituto Histórico, mais tarde batizado como "Vereador Thomé Siqueira Barreto", que por muito tempo representou os moradores do Gramacho, Corte Oito, Olavo Bilac e Jardim Leal na Câmara.

Faltava, porém, uma obra importante no cenário cultural da cidade: um Teatro, já que o então existente - uma pequena sala para 90 pessoas, inaugurado pelo prefeito Moacyr do Carmo em 1967 - funcionava com dificuldades no Shopping Center. E, mais uma vez, Lazaroni, conseguiu inaugurar, em 28 de fevereiro de 1975, o Teatro Procópio Ferreira, em cerimônia que contou com a presença do homenageado.
A sua participação na vida política, social e cultural da cidade não ficou restrita, porém, aos limites do prédio da Câmara. Atuou também na criação e implementação do Museu Histórico de Duque de Caxias, instalado na antiga Fazenda São Paulo, na Taquara, em torno das ruínas da casa onde nasceu Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, em 25 de agosto de 1803, e um dos responsáveis pela unificação do Brasil que hoje conhecemos, lutando contra grupos que pretendiam partilhar o território nacional, como já ocorrera na América Espanhola.

Elias Lazaroni, durante o tempo que ocupou a direção-geral da Câmara, procurava ajudar pessoas que eram perseguidas pela ditadura. “Nós não podíamos trabalhar e passávamos dificuldades por isso. No meu caso, prestava serviços de divulgação como free-lancer para o Legislativo e meu nome não aparecia para ser preservado”, lembrou o então jornalista e radialista Fernando Lapoente, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, em 1969, e hoje anistiado.

Elias Lazaroni formou-se em Direito pela Faculdade de Nova Iguaçu e veio a falecer em 15 de agosto de 1994, onde deixou, além dos filhos Roberto Tinoco Lazaroni e Silvio Romero Tinoco Lazaroni e uma legião de amigos, uma obra insuperável em favor da Cultura.